
Quem recebe a notícia de que vai fazer uma colostomia costuma ouvir, logo em seguida, um termo que parece técnico demais: ascendente, transversa, descendente ou sigmoide. Esses nomes não são apenas detalhes anatômicos — eles explicam boa parte do que esperar da rotina depois da cirurgia, desde a consistência das fezes até a frequência das evacuações e o tipo de bolsa mais indicado.
Neste artigo, você vai entender o que define cada tipo de colostomia, como elas se diferenciam na prática do dia a dia e o que isso muda na escolha da bolsa coletora e nos cuidados com a pele ao redor do estoma.
O Que Define o Tipo de Colostomia
A colostomia é a cirurgia que traz uma parte do intestino grosso (cólon) até a superfície do abdômen, formando o estoma — a abertura por onde as fezes passam a ser eliminadas. O tipo de colostomia é definido pela localização exata do cólon onde esse estoma é criado. Como o cólon tem a função de absorver água das fezes ao longo do seu trajeto, quanto mais próximo do início (lado direito do abdômen) o estoma estiver, mais líquidas serão as fezes; quanto mais próximo do fim (lado esquerdo, perto do reto), mais firmes e formadas elas tendem a ser.
Os Tipos de Colostomia Conforme a Localização
Confira as características de cada tipo:
- Colostomia ascendente: feita no primeiro trecho do cólon, que sobe pelo lado direito do abdômen. É o tipo menos comum e costuma ser temporária. Como as fezes ainda não passaram por grande absorção de água, saem líquidas ou semilíquidas, de forma contínua e sem horário previsível, exigindo bolsa drenável e proteção extra da pele ao redor do estoma.
- Colostomia transversa: localizada no trecho que atravessa horizontalmente a parte superior do abdômen. As fezes costumam ser moles, soltas ou pastosas, com saída que não pode ser controlada — por isso a bolsa drenável também é necessária aqui. É frequentemente temporária, embora possa ser definitiva em alguns casos.
- Colostomia descendente: fica no trecho que desce pelo lado esquerdo do abdômen. As fezes já são mais firmes e a evacuação tende a ser mais previsível — diariamente ou a cada poucos dias, variando de pessoa para pessoa.
- Colostomia sigmoide: localizada na última porção do cólon, logo antes do reto, e é o tipo mais comum. As fezes costumam estar bem formadas, já que passaram por quase todo o trajeto de absorção de água do intestino. Costuma ser permanente quando a parte inferior do intestino precisa ser removida.
Como Escolher a Bolsa Ideal para Cada Tipo
A consistência das fezes de cada tipo de colostomia influencia diretamente a escolha da bolsa coletora. Nos tipos ascendente e transverso, em que as fezes são mais líquidas e a saída é constante, a bolsa drenável — que permite o esvaziamento sem precisar trocar todo o equipamento — costuma ser a opção mais prática. Já nos tipos descendente e sigmoide, com fezes mais firmes e evacuação mais espaçada, algumas pessoas também optam por bolsas fechadas, trocadas a cada evacuação. Uma bolsa de colostomia drenável de sistema de duas peças é uma alternativa versátil para quem produz um volume maior de efluente, já que facilita o esvaziamento sem precisar remover a placa adesiva da pele a cada vez. Para entender a diferença entre os sistemas de uma e duas peças com mais detalhes, vale ler nosso artigo sobre como escolher entre bolsa de uma ou duas peças.
Irrigação: Uma Opção Para Alguns Tipos de Colostomia
A irrigação intestinal — técnica que ajuda a regular o ritmo das evacuações, permitindo períodos mais longos sem o uso contínuo da bolsa — costuma ser indicada apenas para colostomias descendentes ou sigmoides, justamente por terem fezes mais firmes e um ritmo intestinal mais previsível. Ela não é indicada para os tipos ascendente e transverso, já que o fluxo contínuo e líquido dessas colostomias não permite esse tipo de controle. Quem tem interesse em saber se é candidato a essa técnica deve conversar com o estomaterapeuta ou médico responsável; para entender melhor como funciona, acesse nosso guia sobre irrigação de colostomia.
Cuidados no Dia a Dia Independente do Tipo
Alguns cuidados valem para qualquer tipo de colostomia: observar diariamente a cor e o aspecto do estoma, manter a pele ao redor sempre limpa e seca antes de colar uma nova placa, verificar o encaixe correto da bolsa para evitar vazamentos, e manter uma reserva de insumos em casa. Para entender melhor as diferenças entre colostomia, ileostomia e urostomia de forma mais ampla, nosso guia sobre tipos de ostomia é um bom ponto de partida.
Perguntas frequentes
Qual é o tipo de colostomia mais comum?
A colostomia sigmoide é a mais frequente, já que costuma ser indicada em cirurgias relacionadas à parte final do intestino grosso, incluindo alguns casos de câncer colorretal e doenças do cólon sigmoide.
Todo tipo de colostomia é permanente?
Não. As colostomias ascendente e transversa costumam ser temporárias, feitas para permitir que uma parte do intestino cicatrize antes de uma possível reversão. Já a descendente e a sigmoide têm mais chance de serem permanentes, dependendo do motivo da cirurgia.
Por que a colostomia ascendente produz fezes mais líquidas?
Porque o estoma fica logo no início do cólon, antes que o intestino tenha absorvido boa parte da água presente nas fezes. Esse processo de absorção acontece ao longo de todo o trajeto do cólon, por isso quanto mais perto do final, mais firmes elas ficam.
Quem tem colostomia transversa também pode fazer irrigação?
Geralmente não. A irrigação depende de um ritmo intestinal mais previsível e de fezes mais formadas, características presentes nas colostomias descendente e sigmoide, mas não na transversa, onde a saída é constante e não pode ser controlada.
O tipo de colostomia muda o tipo de cuidado com a pele periestomal?
O princípio de cuidado é o mesmo — manter a pele limpa, seca e protegida —, mas colostomias com efluente mais líquido, como a ascendente e a transversa, exigem atenção redobrada, já que o contato prolongado das fezes líquidas com a pele aumenta o risco de irritação ao redor do estoma.
Conclusão
Entender o tipo de colostomia e sua localização no intestino ajuda a antecipar a rotina pós-cirúrgica, da consistência das evacuações à escolha do sistema de bolsa mais adequado. Para quem lida com efluente mais líquido ou precisa de mais praticidade no esvaziamento, uma bolsa de colostomia drenável de duas peças costuma ser uma boa opção. Conheça essa e outras soluções para ostomia na linha de produtos para ostomia da Cirúrgica Sinete e confira onde encontrar o produto mais próximo de você.
Fonte: Mayo Clinic, American Cancer Society (cancer.org).