Quando uma ferida demora para cicatrizar, a atenção costuma ir direto para o centro da lesão: o tipo de tecido, a cor, o tamanho. Mas existe uma área que merece o mesmo cuidado e é frequentemente esquecida — a pele saudável logo ao redor da ferida. Quando essa região fica exposta ao excesso de umidade por tempo prolongado, ela amolece, perde a função de barreira e passa a sofrer um problema chamado maceração perilesional.
Neste artigo você vai entender o que é a maceração perilesional, por que ela acontece, como identificar os primeiros sinais na pele ao redor de uma ferida e, principalmente, como preveni-la e tratá-la com a escolha certa de curativo e produtos de proteção cutânea.

O Que É a Maceração Perilesional
Maceração é o amolecimento e o enfraquecimento da pele causado pelo contato prolongado com umidade. Quando esse processo acontece na pele saudável que circunda uma ferida — geralmente numa faixa de até 4 cm ao redor da lesão — ela é chamada de maceração perilesional. A causa costuma ser o excesso de exsudato (o líquido produzido naturalmente pela ferida durante a cicatrização) que fica em contato com a pele por tempo demais, seja porque o curativo não absorve o suficiente, seja porque a troca não acontece no intervalo ideal.
Esse quadro faz parte de um grupo mais amplo de alterações de pele associadas ao excesso de umidade. Em estágios leves, a maceração melhora assim que a pele volta a secar. Já em casos mais avançados, a barreira cutânea se rompe, deixando a região mais vulnerável a lesões secundárias e dificultando ainda mais a cicatrização da ferida original.
Principais Causas da Maceração ao Redor da Ferida
A maceração perilesional costuma ter mais de um fator envolvido ao mesmo tempo. As causas mais comuns incluem:
- Feridas crônicas ou complexas com produção elevada de exsudato, como é comum em úlceras venosas e feridas de difícil cicatrização;
- Curativo com capacidade de absorção insuficiente para o volume de líquido produzido pela ferida;
- Troca de curativo em intervalo inadequado — tanto a troca pouco frequente (que deixa a pele em contato com o exsudato por tempo excessivo) quanto a limpeza muito agressiva ou repetida da região;
- Incontinência urinária ou fecal próxima à área da ferida, que altera o pH e a resistência da pele;
- Sudorese intensa, obesidade ou atrito em dobras cutâneas próximas à lesão.
Como Identificar os Sinais de Maceração
Reconhecer a maceração cedo facilita a correção antes que o problema evolua. Os sinais mais característicos são:
- Pele esbranquiçada, pálida ou acinzentada ao redor da ferida (em peles mais escuras, pode aparecer como um tom mais escuro, acinzentado ou arroxeado e brilhante);
- Textura enrugada e amolecida, como se a pele tivesse ficado tempo demais em contato com água;
- Dor, ardência ou sensibilidade aumentada na região ao redor da lesão;
- Aumento aparente do tamanho da ferida, já que a borda da pele saudável fica comprometida;
- Em casos mais avançados, erosão superficial ou fragilidade da pele perilesional, que pode se romper com facilidade.
Maceração ou Infecção? Como Diferenciar
É comum confundir maceração com sinais de infecção, mas são processos diferentes — embora a pele macerada, por ter a barreira rompida, fique mais vulnerável à entrada de micro-organismos. A maceração isolada normalmente não vem acompanhada de calor local intenso, odor forte ou secreção purulenta. Já a presença de dor que piora progressivamente, vermelhidão que se espalha, calor, odor desagradável, pus ou febre são sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação médica o quanto antes, já que podem apontar para uma infecção instalada na ferida.
Como Prevenir e Tratar a Maceração Perilesional
O tratamento combina a escolha certa de curativo com cuidados específicos para proteger a pele ao redor da lesão:
- Escolher um curativo com capacidade de absorção compatível com o volume de exsudato — curativos de espuma e de alginato costumam ser indicados para feridas com exsudato moderado a intenso, justamente por reterem mais líquido sem deixá-lo em contato direto com a pele saudável;
- Ajustar o intervalo de troca do curativo ao ritmo real de produção de exsudato da ferida, evitando tanto o excesso de tempo quanto trocas desnecessariamente frequentes;
- Aplicar um produto de barreira cutânea na pele perilesional antes de posicionar o curativo, formando uma película de proteção contra a umidade;
- Escolher curativos com borda de fixação mais ampla que a área afetada, evitando posicionar fita adesiva diretamente sobre pele já macerada;
- Tratar a causa de base sempre que possível, como o uso de terapia compressiva adequada em casos de úlcera venosa.
Um creme de barreira protetor, como o creme barreira Comfeel da Coloplast, ajuda a formar essa camada de proteção na pele ao redor da ferida, reduzindo o contato direto com a umidade e contribuindo para a recuperação da barreira cutânea.
Um Cuidado Especial em Úlceras Venosas
A maceração perilesional é especialmente frequente em quem convive com úlceras venosas nas pernas, já que essas feridas costumam produzir grande volume de exsudato ao longo de toda a fase de tratamento. Nesses casos, a combinação de curativo absorvente adequado, proteção da pele ao redor e terapia compressiva orientada por profissional de saúde é o que faz a diferença entre uma pele perilesional saudável e uma região cada vez mais frágil, o que pode atrasar ainda mais a cicatrização.
Perguntas frequentes
A maceração perilesional dói?
Sim, é comum que a pele macerada fique sensível, ardendo ou doendo ao toque, já que a camada protetora da pele está enfraquecida. A intensidade varia conforme o grau da maceração.
Trocar o curativo com mais frequência resolve a maceração?
Não necessariamente. O problema muitas vezes está no tipo de curativo, que pode não ter capacidade de absorção suficiente para o volume de exsudato. Trocar com frequência excessiva, sem ajustar o tipo de curativo, pode até agredir ainda mais a pele já fragilizada.
A pele macerada volta ao normal depois que a ferida cicatriza?
Em geral sim, principalmente quando a maceração é identificada e corrigida cedo. Quanto mais tempo a pele fica exposta à umidade excessiva, maior o risco de lesões secundárias que podem levar mais tempo para se recuperar.
Qualquer tipo de creme hidratante pode ser usado na pele ao redor da ferida?
Não. O indicado é um produto de barreira cutânea específico para esse fim, formulado para proteger a pele do contato com a umidade sem interferir na adesão do curativo. Um hidratante comum não tem essa função protetora.
Quando devo procurar um profissional de saúde?
Sempre que notar sinais de infecção (dor crescente, calor, odor forte, pus ou febre), quando a maceração não melhorar com os cuidados básicos, ou quando a ferida aumentar de tamanho. Um enfermeiro especializado em feridas pode orientar a troca de curativo mais adequada ao seu caso.
Conclusão
Cuidar da pele ao redor da ferida é parte essencial do tratamento, tão importante quanto cuidar da lesão em si. Escolher o curativo certo para o volume de exsudato, respeitar o intervalo de troca e proteger a pele perilesional com um produto de barreira — como o creme barreira Comfeel — ajuda a evitar complicações e favorece a cicatrização. Conheça a linha completa de curativos e produtos para cuidados com feridas da Cirúrgica Sinete e encontre o ponto de venda mais próximo em onde encontrar.
Fonte: Cleveland Clinic, Net Health, Wound Practice and Research (Cambridge Media), SciELO/Journal of Coloproctology.