Depois que um corte, uma cirurgia ou uma queimadura cicatriza, a pele nem sempre volta a ficar completamente lisa. Em alguns casos, a cicatriz cresce mais do que deveria, fica endurecida, avermelhada ou até coça — e é aí que entram dois termos que muita gente confunde: cicatriz hipertrófica e queloide.
Neste artigo você vai entender a diferença entre elas, por que isso acontece, quem tem mais chance de desenvolver esse tipo de cicatriz, quais tratamentos existem hoje e, principalmente, o que fazer no dia a dia — desde os primeiros cuidados com o curativo até a fase final da cicatrização — para reduzir o risco de uma cicatriz sair do controle.

O que é cicatriz hipertrófica e o que é queloide
Toda ferida, ao fechar, forma uma cicatriz — é o resultado natural do processo de reparo da pele. Na maioria das vezes essa cicatriz vai clareando e amolecendo com o tempo. Mas em alguns casos o corpo produz colágeno em excesso durante a cicatrização, e o resultado é uma cicatriz elevada, mais grossa e, muitas vezes, avermelhada ou arroxeada.
- Cicatriz hipertrófica: fica restrita aos limites da ferida original, costuma surgir nas primeiras semanas após a lesão e tende a regredir sozinha ao longo de um a dois anos.
- Queloide: ultrapassa os limites da ferida original, cresce de forma mais lenta (geralmente começa a aparecer alguns meses depois) e não regride espontaneamente — pelo contrário, pode continuar aumentando com o passar dos anos.
Por que isso acontece: causas e fatores de risco
Cicatrizes hipertróficas e queloides podem surgir depois de qualquer lesão que atinja as camadas mais profundas da pele: cirurgias, queimaduras, acne inflamada, piercings, tatuagens, vacinas e até picadas de inseto. O fator determinante é como o organismo de cada pessoa regula a produção de colágeno durante o reparo do tecido.
- Histórico pessoal ou familiar de queloides.
- Pele negra, asiática ou parda tendem a ter maior predisposição a queloides.
- Idade entre 10 e 30 anos, fase de maior atividade da pele.
- Região do corpo: tórax, ombros, parte superior das costas, lóbulo da orelha e área do queixo são mais propensos.
- Ferida que demorou muito para fechar ou que teve infecção durante a cicatrização.
Tratamentos disponíveis
Não existe uma solução única — o tratamento é escolhido de acordo com o tipo de cicatriz, o tempo de evolução e a região afetada. Em geral, quanto mais cedo o cuidado começa, melhor a resposta.
- Curativos e fitas de silicone: aplicados sobre a cicatriz ainda em formação, ajudam a achatar e amaciar o tecido. É o cuidado mais indicado para começar logo após o fechamento da ferida, como o curativo de silicone Mepiform, desenvolvido especificamente para cicatrizes hipertróficas e queloides.
- Infiltração de corticoide: aplicada diretamente na cicatriz, costuma ser repetida a cada 4 a 6 semanas para reduzir volume e coceira.
- Laserterapia: ajuda a diminuir a vermelhidão e o relevo da cicatriz, com diferentes tipos de laser disponíveis conforme o caso.
- Remoção cirúrgica: indicada em casos selecionados, sempre combinada com outro tratamento (como corticoide ou silicone) logo após a cirurgia, já que a remoção isolada pode fazer o queloide voltar maior.
- Pressoterapia: uso de curativos ou vestimentas compressivas, comum principalmente após queimaduras extensas.
Como cuidar da ferida para reduzir o risco de cicatriz exagerada
Boa parte da prevenção acontece ainda durante a cicatrização da ferida, não depois. Os cuidados com o curativo nas primeiras semanas fazem toda a diferença no resultado final da cicatriz — por isso vale a pena revisar nosso guia sobre cuidados com curativo pós-cirúrgico e entender também as fases da cicatrização de feridas, já que cada etapa exige um tipo de atenção diferente.
- Mantenha a ferida limpa e protegida até o fechamento completo, seguindo a orientação médica.
- Evite expor a cicatriz recente ao sol sem proteção — a radiação UV escurece e piora o aspecto da cicatriz.
- Não retire crostas ou “cutuque” a ferida antes da hora.
- Se você já teve queloide antes, avise o profissional de saúde antes de qualquer procedimento eletivo (piercing, tatuagem, cirurgia estética).
- Procure iniciar o uso de fita ou gel de silicone assim que a ferida fechar, sem pontos abertos — quanto antes começar, melhor a resposta.
Cuidando da pele ao redor da cicatriz depois que ela fecha
Depois que a cicatriz está formada, manter a pele ao redor bem hidratada ajuda a preservar a elasticidade e reduzir o ressecamento, que pode deixar a região ainda mais sensível e visível. Uma rotina simples de hidratação diária, como a que descrevemos no artigo sobre rotina de hidratação para pele seca e sensível, pode ser aplicada também na pele ao redor de cicatrizes já fechadas, sempre evitando a ferida enquanto ela ainda estiver aberta.
Perguntas frequentes
Cicatriz hipertrófica pode virar queloide?
Não. São processos diferentes desde o início: a cicatriz hipertrófica fica dentro dos limites da ferida e tende a regredir, enquanto o queloide já nasce com uma tendência de crescer além da área lesionada. O que pode acontecer é uma cicatriz hipertrófica não tratada demorar mais para melhorar, mas ela não “se transforma” em queloide.
Depois de quanto tempo posso saber se uma cicatriz vai virar queloide?
Cicatrizes hipertróficas costumam aparecer já nas primeiras semanas após a lesão. Já o queloide geralmente começa a se formar a partir de 3 a 4 meses depois da ferida fechar, podendo continuar crescendo por anos se não for tratado.
Fita de silicone realmente funciona para cicatriz?
Sim, é um dos tratamentos com mais evidência científica, principalmente quando usada de forma contínua desde o início da cicatrização. Ela ajuda a manter a hidratação da cicatriz e reduz a produção excessiva de colágeno na região.
Queloide dói ou coça?
Pode causar coceira, sensibilidade e, em alguns casos, dor ao toque, principalmente na fase em que ainda está crescendo. Se a coceira ou dor forem muito intensas, vale conversar com um dermatologista sobre opções de tratamento.
Quando devo procurar um médico por causa de uma cicatriz?
Sempre que a cicatriz continuar crescendo, causar dor, coceira intensa, limitar o movimento (por exemplo, perto de uma articulação) ou incomodar esteticamente. Quanto mais cedo o tratamento começa, mais fácil é controlar o resultado.
Conclusão
Cicatrizes hipertróficas e queloides têm causas parecidas, mas evoluções bem diferentes — e o cuidado certo começa ainda durante a fase de cicatrização da ferida, com curativos adequados e proteção da pele. Curativos de silicone como o Mepiform estão entre as opções mais indicadas para uso logo após o fechamento da ferida. Conheça essa e outras opções de curativos para cicatrização na linha de curativos e cuidados com feridas da Cirúrgica Sinete e confira onde encontrar os produtos mais perto de você em Onde Encontrar.
Fonte: Mayo Clinic, Manuais MSD, Sociedade Brasileira de Dermatologia, mdsaude.com.