
Algumas feridas simplesmente não respondem aos curativos convencionais: continuam com muito exsudato, demoram para formar tecido de granulação ou colocam em risco a integridade de uma sutura cirúrgica recente. Para esses casos, a medicina moderna conta com uma tecnologia que usa sucção controlada para acelerar a cicatrização — a chamada terapia por pressão negativa, popularmente conhecida como “curativo a vácuo”.
Neste artigo você vai entender o que é essa terapia, como ela funciona na prática, para quais tipos de ferida costuma ser indicada, quais os cuidados durante o tratamento e quando ela pode ser contraindicada.
O que é a terapia por pressão negativa
A terapia por pressão negativa (do inglês Negative Pressure Wound Therapy, ou NPWT) é um tratamento de feridas que utiliza uma bomba de sucção controlada para aplicar pressão subatmosférica sobre o leito da ferida. Na prática, isso cria um ambiente selado, limpo e úmido, que favorece a cicatrização de tecidos moles e reduz a necessidade de trocas frequentes de curativo.
Como funciona o curativo a vácuo
O procedimento é montado em etapas, sempre por um profissional de saúde treinado:
- Limpeza da ferida e remoção do tecido desvitalizado (desbridamento), quando necessário;
- Aplicação de uma espuma especial (de poliuretano ou álcool polivinílico) diretamente sobre ou dentro da ferida;
- Vedação da área com um filme adesivo transparente, criando um selo hermético;
- Conexão de um tubo a um reservatório coletor e a uma bomba que aplica pressão negativa de forma contínua ou intermitente.
Esse conjunto de sucção e vedação produz efeitos combinados: remove o excesso de exsudato e reduz o inchaço (edema) do tecido ao redor da ferida, estimula a formação de novos vasos sanguíneos e de tecido de granulação, diminui a carga bacteriana local e ainda ajuda a aproximar as bordas da ferida, favorecendo o fechamento.
Quando a terapia é indicada
A NPWT costuma ser considerada para feridas complexas que não respondem bem aos curativos tradicionais, entre elas:
- Feridas por pressão em estágios mais avançados (III e IV);
- Úlceras diabéticas e úlceras venosas de difícil cicatrização;
- Feridas traumáticas ou associadas a fraturas expostas;
- Deiscência de sutura cirúrgica, quando a incisão volta a se abrir;
- Queimaduras profundas e feridas necrotizantes;
- Enxertos de pele, para melhorar a taxa de integração ao leito receptor;
- Incisões cirúrgicas fechadas consideradas de alto risco, como forma de prevenção de complicações.
Benefícios observados no tratamento
Entre as vantagens mais citadas na prática clínica estão a cicatrização mais rápida em muitos casos, a redução do edema e da carga inflamatória local, a menor frequência de trocas de curativo — geralmente a cada 48 a 72 horas, em vez de diariamente — e a possível redução no tempo de internação hospitalar. É importante ter equilíbrio nessa expectativa: revisões de literatura, como as do Manual MSD, ponderam que, apesar dos resultados promissores em estudos menores, ainda faltam evidências robustas que comprovem superioridade definitiva da NPWT sobre outras terapias em todos os tipos de lesão, especialmente em lesões por pressão. A decisão sobre usar ou não a terapia deve ser sempre do médico ou enfermeiro estomaterapeuta responsável pelo caso.
Contraindicações e cuidados durante o uso
Nem toda ferida pode receber a terapia a vácuo. Ela costuma ser contraindicada em casos de tecido necrótico ainda não desbridado, presença de malignidade na ferida, osteomielite (infecção óssea) não tratada, fístulas não exploradas e exposição direta de vasos sanguíneos ou órgãos.
Durante o tratamento, o paciente e os cuidadores devem ficar atentos a alguns sinais e cuidados práticos:
- Evitar banho de imersão — apenas banho de chuveiro com proteção local ou banho de esponja, conforme orientação da equipe;
- Tomar a analgesia prescrita, já que pode haver desconforto nas trocas;
- Procurar atendimento imediato em caso de sangramento na ferida, febre, perda da vedação do curativo ou mau funcionamento da bomba;
- Nunca tentar remover ou reposicionar o curativo por conta própria.
Cuidados de prevenção e acompanhamento
A terapia por pressão negativa é apenas uma parte do cuidado com a ferida. Para que o resultado seja duradouro, é importante manter o acompanhamento regular com a equipe de saúde, seguir a troca de curativos convencionais entre uma sessão e outra conforme orientado — veja nosso guia completo sobre tipos de curativos para entender as opções disponíveis —, manter uma alimentação adequada para favorecer a cicatrização e, em pacientes acamados ou com mobilidade reduzida, redobrar a atenção à prevenção de úlceras de pressão, evitando que novas feridas surjam durante o tratamento.
Perguntas frequentes
O curativo a vácuo dói?
Pode haver desconforto, principalmente durante as trocas do curativo, mas a equipe de saúde costuma prescrever analgesia para controlar a dor. Sensação de puxão ou pressão localizada durante o funcionamento da bomba também é relatada por alguns pacientes, mas geralmente é tolerável.
Quanto tempo dura o tratamento com terapia por pressão negativa?
Varia bastante conforme o tipo e a gravidade da ferida, podendo ir de poucos dias até várias semanas. Apenas a equipe médica responsável pode estimar a duração no caso específico de cada paciente.
É possível fazer esse tratamento em casa?
Sim, existem dispositivos portáteis para uso domiciliar, mas sempre com prescrição médica e acompanhamento de enfermagem especializada para trocas de curativo e monitoramento.
Toda ferida que não cicatriza pode receber a terapia a vácuo?
Não. A indicação depende de uma avaliação individual, já que existem contraindicações importantes, como tecido necrótico não tratado, infecção óssea ativa ou suspeita de malignidade na ferida.
O curativo a vácuo substitui a cirurgia?
Não necessariamente. Em muitos casos ele é usado como preparo do leito da ferida antes de um procedimento definitivo, como um enxerto de pele, ou como parte do tratamento pós-operatório — não como substituto da cirurgia quando ela é necessária.
Conclusão
A terapia por pressão negativa é uma ferramenta valiosa no tratamento de feridas complexas, mas exige avaliação, prescrição e acompanhamento de profissionais especializados. Para o cuidado diário com curativos convencionais entre as sessões, a Cirúrgica Sinete conta com uma linha completa de produtos para curativos e cuidados com feridas. Consulte onde encontrar os produtos Cirúrgica Sinete mais perto de você.
Fonte: Cleveland Clinic, Manual MSD (edição profissional), Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (SciELO), Anais do Congresso Brasileiro de Estomaterapia (SOBEST).